sábado, 28 de julho de 2012

CRÔNICA - ESPUMA BRANCA

-Só mais um! -Só esse e pronto! -Mais um, por favor! -Mais um! E ele não se contentava. Eram goles rápidos, sem pausa, de uma vez só. -Mais um! E todos se perguntavam: - O que há? Ninguém sabia responder. Não sabiam nem se havia algum problema ali. Será que havia? Havia ali, sim, um sorriso depois de cada gole. Esses sorrisos... Aqueles sorrisos...? Felicidade? Seria? Será? E o passado? Minutos atrás, o que teria visto? O que teria acontecido? Felicidade? -Me darias uma moeda para saber? Só que ele não contava. Ele estava feliz. Aparentemente feliz! Mas os que o “conheciam” não sabiam se isso era verdade, já que ele mente quem é, ou será que fala a verdade quanto a ele mesmo!? -Só mais esse copo, aí eu paro. E sua alma reluzindo. Que cor era aquela áurea? Ninguém conseguia decifrar. Talvez: %#$*& + 1¨!5*& = tristeza, ou até mesmo: sorrisos, goles + 7*&52@# = felicidade, por estar com “amigos”, por estar com a namorada, por estar pensando em algum ídolo, querendo estar com ele. Por que sua presença era bacana? Por que seu sorriso era duvidoso? Por que ele é tão legal? E por que ficamos curiosos com sua felicidade estranhamente estranha? Será que estamos mesmo amigos a ponto de nos preocuparmos com os “problemas” um dos outros, mesmo que esse problema não seja logo identificado como um problema e sim apenas pela desconfiança de um comportamento estranho, que antes, quando não amigos, nunca seria identificado? Será que estamos amigos, unidos, conhecendo-nos? Será que vale a pena? O que estaria acontecendo com os pensamentos de todos àquela noite, naquela mesa, ao ver aqueles risos banhados por aquele líquido amarelo que descia garganta abaixo, desconhecendo o caminho tão pouco, ou quase nunca habitado? -O último e pronto, então eu paro! Dizia ele à sua namorada. E foi o que ele fez: bebeu o último copo de espuma branca sem fazer careta, sorriu, pagou sua parte e se foi... Foi, deixando todos a fazerem apostas quanto a sua vida, sua noite, sua relação, seus sentimentos, sobre ele. Só que ninguém tinha moedas para pagar pelos seus pensamentos e todos ficaram ali, questionando-se, pensando até o ponto de esquecerem o que estavam tentando decifrar e mudarem de assunto. E ele, de longe, olhou mais uma vez para trás onde a pouco estava sentado e sorriu, lembrando das cervejas que ficaram no passado e dos seus amigos que ficaram sem respostas. Autor: Jean Pessoa (Em homenagem a Cléverson Rodrigues)

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